O Povo do Oriente na Umbanda
- Casa de Caridade Gauisa

- 20 de set. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 13 de mar. de 2021
Antes de adentrarmos no assunto que estamos nos propondo a abordar, consideramos importante fazer algumas ponderações sobre qual seria a designação mais adequada para denominar o conjunto de entidades espirituais que trabalham na Umbanda representando o Grande Oriente Luminoso. Obviamente, respeitamos os entendimentos contrários.
As classificações mais tradicionais da doutrina umbandista definiram como LINHAS de trabalho os agrupamentos de entidades espirituais (falangeiros) que se unem pela afinidade dos padrões vibratórios energéticos, que são associados diretamente a um Orixá regente sincretizado com um santo católico. Esta hierarquização é assim determinada desde os tempos de Zélio Fernandino de Moraes, Leal de Souza, Benjamin Figueiredo, W. W. da Matta e Silva, dentre outros.
Os Orixás que regem cada linha de trabalho podem variar de acordo com a vertente da Umbanda. Tal situação é decorrente do fato de a Umbanda não possuir codificação, nem hierarquização. Nas diversas vertentes da religião, nos deparamos, também, com variações de rituais, do sincretismo com santos católicos e, até mesmo, da definição de qual seria o padrão de vibração energética que define cada linha.
Independentemente da vertente de Umbanda, as FALANGES corresponderiam à divisão dessas LINHAS de trabalho principais, abrangendo as irradiações energéticas de todos os Orixás no padrão vibratório energético principal de cada linha. Neste contexto, teremos 7 (sete) falanges inseridas em cada uma das 7 (sete) linhas de trabalho. Por sua vez, essas falanges também se subdividiriam em legiões, povos... e assim por diante.
Seguindo esta lógica de raciocínio, as entidades espirituais que representam o Grande Oriente Luminoso não estão associados diretamente a um único Orixá e, consequentemente, não formam uma linha de trabalho principal dentro da Umbanda (o que não diminui sua importância). A exceção a esta regra é a vertente que foi estabelecida pelo Caboclo Mirim, do médium Benjamin Figueiredo, que coloca o povo do Oriente inserido na Linha de Xangô Kaô (neste caso, deve ser chamada de LINHA do Oriente).
Nas demais vertentes de Umbanda, a Falange do Oriente pode estar inserida dentro da Linha de Oxalá, com irradiação de Xangô. Mas há, também, quem defenda o contrário, ou seja, que a Falange do Oriente está inserida na Linha de Xangô, com irradiação de Oxalá. Nós, da Casa de Caridade Gauisa, nos filiamos a esta última percepção.
De um modo ou de outro, parece não haver dúvida de que a Falange do Oriente trabalha sob a égide de dois dos principais Orixás cultuados na Umbanda, Oxalá e Xangô. Aliás, as linhas de trabalho desses Orixás estão presentes em praticamente todas as vertentes de Umbanda, como representantes da fé (espiritualidade) e da justiça.
Portanto, a influência do padrão vibratório de Oxalá na Falange do Oriente está associada à sua irradiação de fé para a dimensão humana. Não é por outro motivo que Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo dentro da Umbanda. Já a influência do padrão vibratório de Xangô está relacionada ao fogo sagrado que aquece o espírito, sincretizando com São João Batista, primo-irmão de Jesus Cristo, que o batizou nas águas do Rio de Jordão, sendo um grande irradiador de luz.
Na vertente do Caboclo Mirim (de Benjamin Figueiredo), a Linha do Oriente passou a ser designada como Linha de Xangô Kaô, que não se confunde com a Linha de Xangô. A modificação do nome da linha de trabalho se deu para abranger povos que não estão localizados no oriente geográfico de nosso planeta. A palavra “Kaô” dá uma qualidade específica a Xangô, que representa a ciência. Traz, também, a luz que amplia a nossa consciência e nos direciona à evolução espiritual. Neste fundamento, Xangô Kaô é representado pela cor rosa.
É neste contexto que o povo do Oriente na Umbanda reúne entidades espirituais que representam o acervo astral dos povos da Antiguidade, com elementos de um passado comum, berço de todas as magias e alicerce básico das religiões. Entre todos os povos do Oriente, há uma sólida e autêntica tradição esotérica, baseada na sabedoria oculta dos patriarcas, nos mistérios religiosos dos povos antigos, que só tem chegado até nós em pequenos fragmentos. Estão presentes nesta falange os representantes dos grandes mestres do ocultismo (esoterismo, cartomancia, quiromancia, astrologia, numerologia, etc.).
Esta falange de luz abriga espíritos que não se encaixavam nas matrizes indígena, africana e europeia, formadoras do povo brasileiro. Como já destacado anteriormente, tais entidades guardam conhecimentos milenares que desapareceram no plano material, mas que foram preservados no plano astral, cada qual com o que era sabido na religião de seu povo.
De modo geral, seus falangeiros realizam trabalhos relacionados à cura. Possuem, também, a missão de humanizar corações endurecidos e fecundar a fé, os valores espirituais, morais e éticos no mental humano.
Ramatis, uma entidade espiritual que possui trabalhos de grande reconhecimento em casas espíritas, umbandistas e esotéricas, representa muito bem o típico falangeiro do Oriente. Em suas várias reencarnações aqui na Terra, manteve contato com grandes sábios de sua época. Atualmente, é um dos dirigentes da Fraternidade da Cruz e do Triângulo, que trabalha no direcionamento da Humanidade na busca pelo conhecimento consciencial, independentemente da religião, por meio de experiências físicas e sensoriais que acabam por desvendar a verdade crística do mundo.
A Falange do Oriente popularizou-se nas décadas de 50 e 60, quando as tradições orientais budistas e hinduístas se firmaram entre os brasileiros praticantes de modalidades ligadas ao orientalismo. Espíritos falando nomes desconhecidos por nossa gente, que tiveram reencarnações como indianos, tibetanos, chineses, egípcios, árabes, ciganos e outros, incorporavam nos terreiros do Brasil ao lado das linhas de trabalho tradicionais dos Pretos Velhos e Caboclos. Nos dias de hoje, encontrarmos muitas dessas entidades atuando até como dirigentes de casas de Umbanda tradicionais no plano astral.
Mesmo trabalhando sob irradiação do Grande Oriente Luminoso, que se encontra no plano astral, a Falange do Oriente recebe influências de todos os Orixás, que redirecionam seus campos de ação e atuação. Desta maneira, podemos ter falangeiros de Ogum do Oriente, Pretos Velhos do Oriente, Ciganos do Oriente... e por aí vai.
É importante esclarecer que as entidades espirituais que se apresentam como ciganos e ciganas na Umbanda estão, hoje, inseridas dentre os povos que se manifestam na Falange do Oriente. Há, contudo, aqueles que enquadram os ciganos e ciganas como um linha auxiliar da Umbanda. Neste particular, a divergência existe porque, inicialmente, tais espíritos se manifestavam apenas nas giras de Exu. Hoje, entretanto, a grande maioria dos doutrinadores umbandistas os colocam como uma linha própria de trabalho dentro da Falange do Oriente. Os ciganos e ciganas são, portanto, parte do povo do Oriente na Umbanda, tendo em Santa Sara Kali sua padroeira e orientadora das missões espirituais. Os trabalhos desempenhados por estas entidades espirituais envolvem, geralmente, a utilização dos elementos da natureza: terra, água, ar e fogo, fato que os coloca em total sintonia com os demais povos presentes na falange. A manifestação de ciganos e ciganas está intimamente ligada ao desapego material, à liberdade e, principalmente, à alegria de viver. Sua saudação é “Arriba! Optchá!”.
Na doutrina umbandista clássica, a Falange do Oriente, chefiada por São João Batista, é constituída das seguintes legiões: 1) dos hindus – chefiada por Zartú; 2) de médicos e cientistas – chefiada por José de Arimateia; 3) de árabes e marroquinos – chefiada por Jimbaruê; 4) de japoneses e chineses – chefiada por Ori do Oriente; 5) dos egípcios, astecas, mongóis, esquimós, incas e outras raças antigas – chefiada por Inhoarairi; 6) dos índios caraíbas (povos indígenas do Caribe) – chefiada por Itaraiaci e; 7) dos gauleses, romanos e outras raças europeias – chefiada por Marcus I.
Os pontos riscados dos falangeiros do Oriente, via de regra, possuem imagens associadas ao Grande Oriente Luminoso. Por esse motivo, encontramos traços que representam imagens de sóis, luas e estrelas, principalmente.
Na Casa de Caridade Gauisa, as entidades espirituais da Falange do Oriente estão presentes nas sessões de caridade (giras), incorporadas em médiuns que trabalham no atendimento ao público e, principalmente, no ambulatório espiritual, que funciona sob a irradiação do mestre Saint Germain, realizando atividades relacionadas à cura.
Salve o Povo do Oriente! Kaô!
Foto: casadejurema.org.br
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https://youtu.be/l2nlQLxsHlE?si=LTYgSA9i0IoiedI2
Maravilhoso documentário. Bem elucidativo, bem explicado e permite alargar nosso campo de visão, sem temer o que não conhecemos. Com certeza aqueceu muitos corações.