top of page

Pontos Cantados na Umbanda

São orações. São pequenas canções que usamos nas Casas de Umbanda que tem como objetivo nos aproximar do Sagrado, das falanges de trabalho de luz e amor e das energias da natureza.


“Os Pontos Cantados são cânticos ritualísticos acompanhados por percussão em atabaques consagrados e entoados pelos sacerdotes músicos da Umbanda, os Ogans. Estes cânticos possuem informações sobre o passado colonial brasileiro, a história da Umbanda, o imaginário de seus praticantes etc”.

(André Luiz Monteiro de Almeida)


O Ponto Cantado é um dos fundamentos mais importantes para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um Casa Umbandista. O ponto cantando dá diretriz à Gira, norteia os trabalhos e equilibra as energias de uma sessão mediúnica.

Sabemos que o som transcende dimensões, alinha os centros de energias do nosso corpo e auxilia no transe mediúnico.


É através dos Pontos Cantados que o corpo mediúnico entra em sintonia com as energias sagradas do Astral divino.


Com um formato único, esses pontos são mantras, preces, agradecimentos e pedidos de socorro em forma de pequenas histórias cantadas. É através da sensibilidade do Ogan que a magia se faz.


Quando os Pontos Cantados são entoados com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provocam, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas.


Na Umbanda, os pontos são usados para louvar o Sagrado, as forças divinas e invocar as todas as falanges espirituais de trabalho.


Os pontos podem ser classificados em diversos tipos, tais como:


· Pontos de abertura e fechamento de trabalhos;

· Pontos de chegada e de despedida, cantados para incorporações e desincorporações;

· Pontos de defumação, cantados durante a defumação do terreiro e médiuns;

· Pontos contra demanda, cantados durante a Gira contra demandas, se necessário;

· Pontos de descarrego, cantados para descarrego dos médiuns e do ambiente;

· Pontos de doutrinação, cantados para encaminhar um espírito sofredor;

· Pontos de firmeza, cantados para fortalecer e manter a boa energia durante os trabalhos;

· Pontos de homenagem, cantados para homenagear Orixás, guias e entidades.


Temos pouco registros, historicamente falando, sobre a origem e a composição desses Pontos Cantados que usamos na Umbanda.


Sabemos que muitos pontos foram “mensagens” das próprias entidades e muitos outros foram composições dos talentosos e sensíveis Ogans.


A composição de um “ponto” é realmente um momento divino, coroado pelos espíritos de luz.


Em nossa Casa, temos um belo exemplo disso. Mayombe Masai é o primeiro filho da Casa, como Ogan, e hoje, Pai Pequeno. Ele conduz, com outros Ogans, as Giras de atendimento, as Giras festivas, organiza as Lives, participa das Camarinhas e de outros recolhimentos e rituais.


Ele também compõe pontos belíssimos e cheios de fundamentos, como esse Ponto que cantamos nas Giras de Exu na nossa Casa:


Aos Guardiões


Bate palma e canta o corooo... (bis)

Que Exu quer trabalhar

Aproveita e pede a eles

Para seus caminhos iluminar

Bate palma e canta o corooo... (bis)

Que Exu quer trabalhar

Esse ponto é uma prece

Pedindo a Exu para me ajudar

Peça à Pombogira amor

Ao Malandro proteção

Peça a Exu Tranca-ruas que lhe dê o seu perdão

Peça a Tiriri conselhos

Rosa Caveira um descarrego

Peça que eles te ajudem num momento de aflição

Mas peça tudo

Com amor e muita fé

Peça tudo o que quiser, até a maldade pode ser

Só não se esqueça do que eu vou te dizer

Tudo que pede hoje um dia volta para você


Este é um agradecimento a Zambi


Foi Zambi quem mandou, foi Zambi

Por Zambi que eu venho trabalhar


Por Zambi que eu venho na Umbanda

Mostrar aos seus filhos o caminho de Oxalá.

(2 vezes)


É só o amor!!!!

É só o amor (é só o amor)

É só o amor...

É só o amor.


O AMOR É O CAMINHO QUE ZAMBI NOS ENSINOU!


Para todos que frequentam casas de Umbanda, que tem o hábito de cantar dos pontos, observem. Tocar o atabaque e outros instrumentos de percussão ou até mesmo só bater as palmas. Vejam, com muito carinho, a letra e a melodia dos pontos cantados, pois são preces, orações de súplicas e de agradecimento.

Saravá nossa Umbanda.



Referencias bibliográficas

Anais do III Congresso Internacional de História da UFG/ Jataí: História e Diversidade Cultural. Textos Completos. Realização Curso de História

 
 
 

Comentários


  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

Casa de Caridade Gauisa 
Rua São Miguel, 733 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

bottom of page