Pontos Cantados na Umbanda
- Casa de Caridade Gauisa

- 18 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
São orações. São pequenas canções que usamos nas Casas de Umbanda que tem como objetivo nos aproximar do Sagrado, das falanges de trabalho de luz e amor e das energias da natureza.
“Os Pontos Cantados são cânticos ritualísticos acompanhados por percussão em atabaques consagrados e entoados pelos sacerdotes músicos da Umbanda, os Ogans. Estes cânticos possuem informações sobre o passado colonial brasileiro, a história da Umbanda, o imaginário de seus praticantes etc”.
(André Luiz Monteiro de Almeida)
O Ponto Cantado é um dos fundamentos mais importantes para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um Casa Umbandista. O ponto cantando dá diretriz à Gira, norteia os trabalhos e equilibra as energias de uma sessão mediúnica.
Sabemos que o som transcende dimensões, alinha os centros de energias do nosso corpo e auxilia no transe mediúnico.
É através dos Pontos Cantados que o corpo mediúnico entra em sintonia com as energias sagradas do Astral divino.
Com um formato único, esses pontos são mantras, preces, agradecimentos e pedidos de socorro em forma de pequenas histórias cantadas. É através da sensibilidade do Ogan que a magia se faz.
Quando os Pontos Cantados são entoados com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provocam, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas.
Na Umbanda, os pontos são usados para louvar o Sagrado, as forças divinas e invocar as todas as falanges espirituais de trabalho.
Os pontos podem ser classificados em diversos tipos, tais como:
· Pontos de abertura e fechamento de trabalhos;
· Pontos de chegada e de despedida, cantados para incorporações e desincorporações;
· Pontos de defumação, cantados durante a defumação do terreiro e médiuns;
· Pontos contra demanda, cantados durante a Gira contra demandas, se necessário;
· Pontos de descarrego, cantados para descarrego dos médiuns e do ambiente;
· Pontos de doutrinação, cantados para encaminhar um espírito sofredor;
· Pontos de firmeza, cantados para fortalecer e manter a boa energia durante os trabalhos;
· Pontos de homenagem, cantados para homenagear Orixás, guias e entidades.
Temos pouco registros, historicamente falando, sobre a origem e a composição desses Pontos Cantados que usamos na Umbanda.
Sabemos que muitos pontos foram “mensagens” das próprias entidades e muitos outros foram composições dos talentosos e sensíveis Ogans.
A composição de um “ponto” é realmente um momento divino, coroado pelos espíritos de luz.
Em nossa Casa, temos um belo exemplo disso. Mayombe Masai é o primeiro filho da Casa, como Ogan, e hoje, Pai Pequeno. Ele conduz, com outros Ogans, as Giras de atendimento, as Giras festivas, organiza as Lives, participa das Camarinhas e de outros recolhimentos e rituais.
Ele também compõe pontos belíssimos e cheios de fundamentos, como esse Ponto que cantamos nas Giras de Exu na nossa Casa:
Aos Guardiões
Bate palma e canta o corooo... (bis)
Que Exu quer trabalhar
Aproveita e pede a eles
Para seus caminhos iluminar
Bate palma e canta o corooo... (bis)
Que Exu quer trabalhar
Esse ponto é uma prece
Pedindo a Exu para me ajudar
Peça à Pombogira amor
Ao Malandro proteção
Peça a Exu Tranca-ruas que lhe dê o seu perdão
Peça a Tiriri conselhos
Rosa Caveira um descarrego
Peça que eles te ajudem num momento de aflição
Mas peça tudo
Com amor e muita fé
Peça tudo o que quiser, até a maldade pode ser
Só não se esqueça do que eu vou te dizer
Tudo que pede hoje um dia volta para você
Este é um agradecimento a Zambi
Foi Zambi quem mandou, foi Zambi
Por Zambi que eu venho trabalhar
Por Zambi que eu venho na Umbanda
Mostrar aos seus filhos o caminho de Oxalá.
(2 vezes)
É só o amor!!!!
É só o amor (é só o amor)
É só o amor...
É só o amor.
O AMOR É O CAMINHO QUE ZAMBI NOS ENSINOU!
Para todos que frequentam casas de Umbanda, que tem o hábito de cantar dos pontos, observem. Tocar o atabaque e outros instrumentos de percussão ou até mesmo só bater as palmas. Vejam, com muito carinho, a letra e a melodia dos pontos cantados, pois são preces, orações de súplicas e de agradecimento.
Saravá nossa Umbanda.
Referencias bibliográficas
Anais do III Congresso Internacional de História da UFG/ Jataí: História e Diversidade Cultural. Textos Completos. Realização Curso de História
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